Olho em frente e lá está Ela. De repente percebo que tudo faz sentido.Ela olha-me e sorri, não consigo ter reacção. Quero que se aproxime, que me embale, que me diga que está tudo bem. Mas Ela apenas sorri e estende-me os braços.O meu corpo reage sozinho, a emoção é enorme e ele apenas quer desfruta-la...Ao chegar ao pé dEla, toca-me ao de leve nos ombros, acaricia-me a face e beija-me os lábios. Mas eu só consigo sorrir. Aproxima-se dos meus ouvidos: —Vem!—A sua voz era uma melodia celestial que só eu conseguia ouvir. Ainda a vê-La vou fechando os olhos, mas descubro que Ela está lá, dentro do meu olhar, a sorrir e a dançar. Convida-me e eu, ansiosa, aceito.A brincadeira de criança que tanta alegria me traz quando recordo, a delícia do primeiro beijo, a alegria de receber algo que tanto queria, o sabor do último sorriso dado por alguém especial… Todos os momentos que recordamos com saudade, afecto e alegria, não são nada, nada comparado com a sensação de estar com Ela.O seu aroma, o seu olhar, o seu sabor, o seu toque, a sua melodia, a sensação.Não quero estar noutro lugar, não quero ver mais ninguém, não quero sair dali!Pega-me nas mãos, aquele toque tão suave desperta-me liberdade, e leva-me para a sua brincadeira de criança.Não quero deixar aquele mundo, sinto que Lhe pertenço, sinto que Ela me pertence, sinto que somos um. Ela sempre esteve lá, à minha espera. Ela é a minha vida!De repente deixo de A sentir, o seu sorriso desvanece-se, o seu olhar torna-se baço, as suas gargalhadas tornam-se gemidos de agonia.Uma dor dilacera-me o peito, sinto o seu sofrimento, tento tocar-Lhe, mas não consigo, Ela está a desaparecer. NÃO! Não depois de tanto procurar, de tanto lutar, Ela não pode simplesmente desaparecer.Corro atrás dEla, não importa que me doía o corpo, pois nunca superará a dor que sinto na alma.Paro. Ela está à minha frente gemendo e pedindo que pare. Sinto-me impotente, se pelo menos soubesse o que a faz sofrer. Levanto a cabeça pedindo ajuda, não sei a quem nem a quê. Respiro fundo e só então percebo. O aroma delicioso tinha desaparecido, sendo substituído por um cheiro forte e agressivo. Abro os olhos e vejo o céu cinzento. Baixo o olhar e estremeço com a minha visão. Nas minhas mãos encontrava-se uma caixa de fósforos e um retalho de pano, num impulso repentino largo os objectos, ao caírem no chão o seu som seco quebrou o silêncio e dos meus olhos começaram a cair lágrimas. Pesso-Lhe perdão e faço-Lhe promessas, mas não adianta, Ela está muito fraca, tenta sorrir, mas não consegue. Finalmente consigo tocar-lhe, peço que se esconda de mim, Ela recusa, quer ficar ao meu lado. Imploro-lhe, mas ela nada faz.Sei que não posso fazer outra coisa, tenho de reagir. Admiro-A, sorrio e sinto-A pela última vez. Viro-lhe costas e corro o mais rápido possível.Sei que Ela estará lá, sei que é a única coisa em que posso confiar, seremos sempre um só, apesar de estar longe, eu pertenço-Lhe, tu pertences-Lhe. Ela não é nossa, Ela somos Nós, Ela é, e vai ser sempre, o nosso maior bem.O seu nome? Talvez tu conheças, mas queiras negar, talvez sorrias quando o disser, ou talvez não. Pois é tão simples de ouvir, mas difícil de ver e sentir. Achas que preciso de o dizer? Ela está à tua volta, Ela é…a Natureza.
Sophia Barziela
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